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Ainda temos tanto pra viver.
Eu senti o coração envelhecendo cedo demais, presa às minhas teorias formuladas sobre o ócio e solidão. Passei dias maldizendo o destino por atribuir tão má sorte ao nosso amor. Andei cega de saudade e impaciência. Deixei o coração morrer aos poucos, deixando de sonhar, perdendo as estrelas que brilhavam no fundo dos meus olhos. Mas amor, ainda temos tanto pra viver. Guardo paixão por você para outras mil vidas além dessa. Eu confio em todos os pedidos que fiz à estrelas cadentes e velas de aniversário, acredito em todos os sonhos em que ouço sua voz e vejo seu sorriso enchendo de luz a casa novamente. Pense em todos os dias de sol, todas as tardes chuvosas, todas as noites de calor que vamos viver. Vou contar meu amor em segredo com a boca colada à tua, pra alcançar teu peito e morar no teu coração. Cansei de brigar com o tempo. Eu sei que você volta, porque seu coração nunca esquece o caminho de casa.
Morrendo de saudade enquanto vivo de amor, Cecília. 
09:45 pm: cartas-de-cecilia20 notes

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Você sabe bem que não sei dividir o coração em metades seguras de amor. Que garantias posso exigir, se a vida mesmo é tão frágil e certeza é uma verdade tão impossível de encontrar? Paciência com os dias, meu amor. Paciência comigo. Paciência com você. Paciência com a saudade. Os ventos são fortes, mas laços não se desfazem no ar assim tão fácil. Esperar por qualquer coisa é caminhar descalço num túnel escuro sem saber se há mesmo uma porta esperando para ser aberta. Guardo comigo a chave do meu coração confuso, que não cabe a ninguém além de mim arrumar. Mas se você escolher se jogar no breu, sem certezas ou garantias, mas com esperança de encontrar a porta, eu prometo que deixo a cama arrumada e as roupas limpas pra você dentro de casa.
Amor, Cecília. 
11:22 am: cartas-de-cecilia350 notes

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Hoje eu acordei com medo.
Engoli seco, cerrei os olhos, custei levantar. Acordei com um medo impossível. Medo de andar e cair, medo de atravessar a rua, medo de deixar de respirar de repente, medo do coração parar de bater. Senti medo do tempo. Medo de que os dias não te tragam. Medo de acordar todos os dias, olhar para o lado da cama e não te ver mais. Que agonia, amor. Que desespero. Preciso tanto de uma voz que me conforte, que me afague a alma sem arranhar, preciso de dormir em braços quentes que me protejam do vento e da saudade. Volta depressa. Tá dando medo ficar sozinha. Hoje eu acordei me sentindo uma garotinha presa em um quarto escuro. Traz nossas estrelas pra clarear o breu, traz você de volta e faz o medo passar. Vem que eu preciso dizer o tamanho do amor que não me deixa.
Sempre sua, Cecília.
10:41 am: cartas-de-cecilia774 notes

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E o que fazer pra prolongar tua chegada? Pois um beijo não me bastaria, um abraço ainda seria pouco, passar do crepúsculo à alvorada mergulhada nos teus olhos, deitada ao teu lado na cama ainda me pareceria tempo curto demais. Tento dizer que o queria muito, mas é além disso. É mais intenso que só querer, é mais desesperado, mais necessitado. Qualquer espaço de tempo que não fosse a eternidade, seria como oferecer 100 gramas de presunto à um leão que passara três dias no deserto. Entende o quanto é tanto? É querer em demasia e não faz o menor sentido. E o que eu faço enfim, para prolongar tua estadia? Te ofereço mais um café, biscoitos talvez? Uma taça de vinho, uma boa música, um silêncio inteiro olhando pela janela, dividir dois ou três cigarros… te pedir mais um beijo e sussurrar num sopro morno caminhando entre tua nuca e orelha e acordando teus pelos: “fica?”…
amor, Cecília.
11:33 am: cartas-de-cecilia487 notes

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Arthur, a paciência morreu em mim. Tudo está morrendo, aliás. As flores do canteiro, a esperança, a coragem, a vontade… Minhas forças estão esmorecendo sem solução em uma queda vertiginosa. Acho que a próxima a morrer sou eu. Sente a ausência de calor em minhas palavras? É inverno aqui. Denso e branco. Cruel, gelado, implacável. Céus, como detesto soar exagerada assim! Como me irrito comigo mesma em parecer tão ridiculamente dependente de você. Pois a culpa é tua! Tua toda e por inteiro! Me habituei ao teu cuidado, teu calor, teu carinho, teu afago, tuas palavras doces e gentis, teus olhos que sempre me mediram com carinho e me vigiaram o sono. Sou incapaz de sorrir por esses dias, a não ser quando me lembro com tanta força de ti que chego a senti-lo perto. Estou perturbada Arthur, e isso não faz nada bem ao meu juízo. Preciso em desespero das coisas ridículas do amor. Preciso de abraços, beijos e declarações. Sei que o que sai de tua boca nunca foi vazio e que mesmo com todo esse tempo teu coração não voltaria atrás e nem desistiria de me ama, mas… não fique bravo comigo se eu disser que preciso ser constantemente lembrada do amor que me tens? Sou uma boba, eu sei. Dói em meu orgulho ter que dizer isso. É que… tenho tanto medo! Mesmo sem você aqui, a cada dia que passa me apaixono mais um pouco por você. Me apaixono novamente por tudo que já conheço e fico querendo mais mais e mais. Querido, não me deixe a te esperar em vão.
Sempre tua, Cecília.
11:47 am: cartas-de-cecilia165 notes

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Amor, não quero mais o eco dos meus passos no chão puro dessa casa. Não aguento mais um segundo do teu silêncio onde só eu digo. Não suporto esse hiato em que meu perco sem a direção de tua voz, guiando meus desejos, passos e sonhos. Meu bem, não deixo de pensar em ti nem por um minuto. Te desenho nas janelas e beijo a boca que lhe faço no vapor do meu respirar. É tão frio. Frio por dentro. Um frio cadavérico, sepulcral, tumular. Me afogo então nesses dias vazios, cheios de saudade. Perdi meu norte quando tu se foi e dia a dia não desisto de esperar-te bem aqui, onde prometi estar sempre.
com saudades, Cecília.
06:17 pm: cartas-de-cecilia230 notes

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— O sol já vai nascer — ela disse. A voz entrecortada, as frases murmuradas na escuridão da noite densa. Era possível enxergar todas as estrelas do mundo naquele breu sem lua — por que o tempo passa tão veloz? Logo você me deixa à mercê da solidão. Não vou suportar tua ausência.

— Não diga bobagens, Cecília. Viveu muito bem sem mim até o dia de nos casarmos.

— Engano teu. Vivi bem, mas vivi contigo. Não conheço um dia de minha vida sem você. Antes de olhar a primeira vez eu já lhe conhecia.

— Como?

— Não sei — lançou a cabeça para trás apoiando-se nas mãos. Os cabelos negros e fluidos como um véu sacudindo com o vento, exalando o perfume de flores que não existiam, que estavam apenas nela. Os olhos gigantes encarando o nada, piscando curiosos como os de crianças que descobrem algo novo — só lhe conhecia, apenas isso. A primeira vez que lhe vi, não foi como olhar para um estranho. Foi como reconhecer um velho amigo que passou uma temporada distante. Nasci para lhe encontrar, querido.

— Soube que éramos nossos assim lhe vi, meu anjo — entrelaçou as duas mãos grandes entre os cabelos dela. Segurou-lhe a cabeça com afeto e beijou-lhe a testa. Demorou os olhos sobre os dela e a abraçou quando ela corou sorrindo — eternidade não tem começo.

— O que quer dizer com isso?

— Quero dizer que não deve se incomodar com o tempo passando veloz ou arrastado. O mundo é nosso, sem pressa. Entretanto, penso que todas as horas do mundo ainda seriam poucas para o amor que te tenho. O resto da vida ainda me parece tempo escasso para a sede que tenho de ti, criança.

— Só sinto que o tempo passa rápido e sua hora de partir se aproxima — Cecília passou os braços ao redor de sua cintura e apertou com toda a força que tinha. Aninhou a cabeça em seu peito e fechou os olhos tentando sorver tudo que tinha da presença de Arthur. Estavam sentados nas escadas que davam para a porta do sobrado onde moravam. O galo ensaiava seu primeiro canto para despertar a cidade. Não dormiam antes do sol nascer, a noite guardava todas as confissões e promessas de amor que faziam um ao outro — não quero que vá. Nunca.

— Pense assim, se passa depressa agora, passará depressa enquanto e estiver fora e voltarei logo para as nossa eternidade, juntos. O tempo passa e nós não, e sempre será assim. Eu prometo.

—Jura? Pelo céu e pelas estrelas? Jura pela vida?

— Que o céu derreta e as estrelas se apaguem se não for verdade.

O galo cantou novamente e as luzes tremeluziam por detrás das cortinas dos vizinhos. Entraram em casa para descansar os corpos enquanto as almas de amavam em sonhos. Sempre se encontravam em sonhos. Pertenciam-se, apenas assim, sem pedir permissão ou entregar-se. Apenas eram um do outro, com tudo que sentiam e entendiam, e com o que não sabiam também, porque amor é não entender, mas ainda assim saber do que não se conhece mas é, só por ser. Amaram-se sobre a cama e entre os lençóis amarrotados. Dormiram abraçados, primeiro Cecília, depois Arthur que nunca perdia o espetáculo silencioso da amada caindo no seu mundo de fantasia, sempre com um sorriso escondido no canto da boca, na curva onde ele gostava de beijar.

(Daniella L — em Cartas de Cecília)

(Source: flor-de-papel)

09:08 pm: cartas-de-cecilia19 notes

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Depois de muito tempo, hoje choveu . Não quero lhe dar informações sobre o clima amor, sei que é irrelevante. Mas tu sabes como a chuva me deixa melancólica e feliz ao mesmo tempo. Andei pensando, sou toda assim, toda de inversos. Olho para o céu apertando os olhos embaçados de lágrimas e um sorriso largo me aparece. É uma alegria tão indizível que me dói. As coisas me são tão bonitas, que chegam a doer. É assim que lhe guardo amor. Céus, é tanto! Tanto que me desespero por saber que por mais floreadas que sejam as palavras que lhe envio, não existe maneira de descrever exatamente como é. E é tão imenso, tão profundo, tão infindo que… não sei. E inefável. Tenho urgência de sentir tudo, sentir o mundo em mim. Quando coloco uma flor no jarro para enfeitar a casa, sorrio pela beleza daquela vida tão frágil e choro por saber que logo logo ela murcha e desaparece. Para onde vão as flores depois de morrer? Preciso parar de tentar tirar conclusões e resolver todos os mistérios da vida. Quero tanto notícias suas, estou com tantas saudades.
Desculpe as bobagens. Sempre sua, Cecília.
08:52 pm: cartas-de-cecilia151 notes

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Silêncio.

Era madrugada, ninguém falava, até os cães da rua já dormiam e o bonde interrompera seu itinerário. Deitados na cama como cadáveres com as mãos sobre o peito e os olhos congelados no teto, foi Cecília quem quebrou o silêncio.

— Estou com medo.

— Não precisa. Quando foi que eu quebrei alguma promessa que fiz a ti, minha menina? Deves ter medo de que seus livros se percam no baú, de esquecer a panela no fogão ou de deixar as ideias fugirem da cabeça no meio da noite. Mas medo de que eu não volte? Não seja ingênua. Sabes bem que não há lugar que eu queira estar mais do que ao seu lado, assim - segurou sua mão e apertou forte. A lua jogava a sombra das árvores em desenhos disformes no teto. Cecília suspirou - perto, bem perto. Eu volto, eu prometo.

Arthur se virou na cama, passou a mão em seus cabelos e viu as lágrimas caírem silenciosas pelas maçãs do rosto saltadas e coradas. Passou o dedo sob os olhos dela, colhendo-as uma a uma, aquelas gotas de cristal líquido. Ela apenas encarava o teto, ora soluçando, ora sussurrando. Beijou-lhe a testa, puxou-lhe o corpo para perto e aninhou sob seus braços sua Cecília, tão pequena e tão sua.

— Quero que me prometa uma coisa também - ele disse - duas, aliás. Primeiro, vai me escrever todos os dias. Sem faltar um! Nem que seja um bilhete pra me dizer como foi seu dia. - ela concordou com um aceno de cabeça, ainda sem olhá-lo - e outra, vai arrumar atividades para fazer. Desenhe, pinte, escreva, borde, visite seu pai, chame as crianças para um chá e lhes conte histórias, mas não fique amuada em casa chorando por mim.

— Não posso prometer isso, me peça algo mais fácil.

— Um sorriso. Agora! Ande - ele se levantou e a colocou de lado - olhe pra mim e sorria.

— Não estou com vontade.

Pegou o rosto dela entre as mãos, beijou-lhe os olhos molhados pelas lágrimas, beijou-lhe os lábios salgados e úmidos e disse-lhe com voz firme:

— Cecília, não há lugar no mundo em que eu queira mais estar além de seus braços, não há manjar divino que me agrade mais o paladar além de teus beijos, não há valor algum na vida se eu não puder passar cada minuto dela contigo, desde que lhe vi naquele balanço, desde que minhas mãos tocaram as tuas entre as flores do arranjo, desde que nossas almas se reconheceram entre nossos olhos. Podes acreditar nisso? Podes acreditar que assim que eu pôr o pé fora daquela porta o que vai me manter vivo é a vontade de voltar para o teu lado? Sou inteiro seu, Cecília. Inteiro.

Ela sorriu.

— Ainda estou com medo.

— Eu também. Mas basta que você queira o mesmo que eu para eu me manter forte e voltar o mais depressa possível.

— Eu sinto, querido. Eu sinto. Eu o amo com o coração e o corpo inteiro. Eu confio em você. Não vou passar nenhum dia sem lhe lembrar disso. O quanto sou inteira e completamente apaixonada por você.

(Daniella L — Cartas de Cecília)

(Source: flor-de-papel)

12:50 pm: cartas-de-cecilia23 notes

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Pois eu deveria ter acreditado quando me diziam que ler tantos romances não fariam bem ao meu juízo. Agora creio, creio em amor infinito e em amantes felizes mesmo nas mais duras e sombrias agruras da vida. Pensei que deveria lhe dizer que te amo. Não que fosse isso novidade, nem algo que tu não soubesses, mas pensei que deveria te dizer. Deveria dizer-te também que a mim bastaria se tu quisesses como eu, para que eu largasse tudo, arrumasse as malas e partisse ao teu encontro. Que tenho eu, além do que te sinto? Nada me faria mais falta que teus braços e teu respirar, amor meu. Não vejo necessidade de promessas de amor eterno ou fidelidade infinita, pois os restos de nossos dias serão feitos de todos os ‘agoras’ em que deitamos sob a luz na lua no chão da sala e rimos juntos, mas basta que queira comigo, que teu coração bata em compasso com o meu, num ritmo único, nosso, em sintonia e órbita.
Sempre tua, Cecília.
09:10 am: cartas-de-cecilia170 notes